Recortes

 Hoje em dia as pessoas sabem o preço de tudo, mas não sabem o valor de nada!

 ( Oscar Wilde )

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“Último Poema”

“Assim eu quereria o meu último poema.
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.”

( Manuel Bandeira )

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“Desencanto”

“Eu faço versos como quem chora
De desalento… de desencanto…
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.

Meu verso é sangue. Volúpia ardente…
Tristeza esparsa… remorso vão…
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.

E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.

- Eu faço versos como quem morre.“

( Manuel Bandeira )

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Motivo”

“Não quero que os críticos me elogiem.
Não pretendo que os sábios me estudem.
Nem sonho que os céticos me creiam.

Não quero ser,objeto,
objeto de teses pomposas.

Só quero que os cegos me leiam,
só sonho que os surdos me ouçam,
só pretendo que os loucos me entendam.
E que os bêbados cantem e dancem
meus versos, nas ruas mortas…

E que os velhos e as crianças
me tragam beijos e rosas.”

( Luiz Carlos Lemos )

 


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