Um dia eu chego lá!

Este vÃdeo acima, é o primeiro trabalho totalmente criado por Tim Burton. Cineasta que com um brilhantismo inigualável consegue transpor o caos de sua mente de forma mórbida sim! Mas com uma paradoxal vivacidade.
Cenas eróticas viraram rotina, planos maléficos são assistidos junto ao jantar, drogas são consumidas em pleno dia, rostinhos bonitos viram Ãcones idolatrados. E a sociedade sucumbe, junto com aqueles que terão as rédeas do paÃs na mão.
Crianças já não se chocam, convivem com toda e qualquer adversidade sem nem pestanejar, devido ao acesso irrestrito as informações.
Não sou “caxias” o suficiente para concordar em deixar a criança alheia a realidade, mas apenas aquelas que já apresentam uma base, uma estrutura firme, devem ter tal suposta regalia, ou seja, a permissão dos pais ou responsáveis.
Decisão judicial recente, obriga emissoras de TV, agências de publicidade e outros meios midiáticos a classificar as atividades por faixas etárias, além de um maior controle de censura. Muitas entidades contestaram, alegando prejudicados por falta de liberdade de expressão; afinal são elas que lucram com a mazela geral.
Parecem que não respiram dos mesmos ares, que não percebem o quão o cotidiano vem se tornado caótico e a sua influência massiva sobre o mesmo.
A formação do contingente infantil é responsabilidade de todos, são eles que darão continuidade nos projetos, são o amanhã do ontem, a energia que movimentará as engrenagens enferrujadas do hoje.
“Escolho meus amigos não pela pele, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessam os bons de espÃrito, nem os maus hábitos, fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Quero que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só ombro ou colo, quero sua maior alegria, amigo que não ri junto não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsÃveis nem choros piedosos. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto e velhos, para que nunca tenham pressa “.
Oscar Wilde
Desgraça pouca é besteira. E assim vive o mundo. Ocorre uma banalização geral. Violência, desastres, guerras, prelúdio do fim do mundo, entre tantas outras mazelas, que de tanto serem comentadas e presenciadas, acabam se agregando ao viver.
Não se sente mais nada, nem ao menos compaixão. O suposto coração, senhor das emoções, se dissolveu, preferiu se aposentar. Já cansado do mal diário.
Eu não gosto de bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto
Eu aguento até rigores
Eu não tenho pena dos traÃdos
Eu hospedo infratores e banidos
Eu respeito conveniências
Eu não ligo pra conchavos
Eu suporto aparências
Eu não gosto de maus tratos
Mas o que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto
Eu aguento até os modernos
E seus segundos cadernos
Eu aguento até os caretas
E suas verdades perfeitas
o que eu não gosto é de bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos modos
Não gosto
Eu aguento até os estetas
Eu não julgo a competência
Eu não ligo para etiqueta
Eu aplaudo rebeldias
Eu respeito tiranias
E compreendo piedades
Eu não condeno mentiras
Eu não condeno vaidades
o que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos modos
Não gosto
Eu gosto dos que têm fome
Dos que morrem de vontade
Dos que secam de desejo
Dos que ardem…
Senhas – Adriana Calcanhoto
Sabe-se que a música produz endorfina, e outras substâncias que representam quimicamente o prazer, mas por que respondemos dessa forma aos estÃmulos sonoros intencionais?
A música mágica e misteriosamente nos encanta. Não são apenas tÃmpanos, bigornas e martelos vibrando, esses ossÃculos do prazer, mas são pensamentos que ressurgem, sentimentos que emergem, idéias que acordam. Muitas são as formas, estilos, mas é intrÃnseco do ser humano o gosto por qualquer representação artÃstico-sonora. Várias são as tribos, que ao seu modo, tem na música seu refúgio, sua diversão, sua identidade.
A música além do seu próprio significado, carrega consigo toda uma bagagem de representações e sÃmbolos, que forma, junto com o espectador, uma identidade. Através da música consegue-se, inclusive, se extrair um panorama sócio-econômico-polÃtico-cultural, do perÃodo em que a sonoridade está incluÃda, graças a relação tênue do seu criador, com a obra; pois representa completamente, as idéias, confusões e certezas em que o artista e seu grupo social vive.
Viciante, sedutora, delirante, prazerosa, e assim a música se apresenta, em cada um de seus acordes, que penetram no ouvido e reverberam em forma de gozo.
Nunca me silencio. Dentro de mim, nunca se para.
E nessa balbúrdia eu me faço, minhas idéias, minha consciência, meu eu. Discordo de mim mesmo, concordo, repugno.
Me considerariam louco, se ao menos, passassem um dia em minha mente, doente e cansada. Que do cansaço faz sua energia para se cansar ainda mais.
Sozinho nunca, mas comigo mesmo, numa solidão acompanhada de mim. Que nunca sou eu, mas dois.