Lema – Ney Matogrosso

•Maio 23, 2009 • Deixe um comentário

ney(Ioba iê)

Não vou lamentar
a mudança que o tempo traz, não
o que já ficou para trás
e o tempo a passar sem parar jamais
já fui novo, sim
de novo, não
ser novo pra mim é algo velho
quero crescer
quero viver o que é novo, sim
o que eu quero assim
é ser velho.

Envelhecer
certamente com a mente sã
me renovando
dia a dia, a cada manhã

Tendo prazer
me mantendo com o corpo são
eis o meu lema
meu emblema, eis o meu refrão

Mas não vou dar fim
jamais ao menino em mim
e nem dar de, não mais me maravilhar
diante do mar e do céu da vida
e ser todo ser, e reviver
a cada clamor de amor e sexo
perto de ser um Deus
e certo de ser mortal
de ser animal
e ser homem

Tendo prazer
me mantendo com o corpo são
eis o meu lema
meu emblema, eis o meu refrão

Eis o meu lema
meu emblema, eis minha oração
Eis o meu lema
meu emblema, eis minha oração

(Ioba iê)

A Saidera

•Maio 16, 2009 • Deixe um comentário

beer

Só mais uma, por favor. Umazinha só. Aqui, à mesa. Eu estou com sede. Estou de fogo. Estou carente. Traga, urgente. Está me ouvindo? Eu pago o que for preciso.
Quanto é, meu amor?
Sei que você já fechou as portas. Do seu coração. O seu juízo em combustão. Tanta confusão na cabeça. Eu entendo. Mas suplico. Uma única, juro. Para entrar num susto. Num gole, num fôlego.
Um sentimento gostoso. A derradeira força. Eu peço. Como se pede um abraço. Um afago. Um beijo. Cavalheiro, prometo. Será a última. E não volto mais.
Não encherei o seu saco. Desaparecerei do pedaço. Você não me verá depois dessa. Rastejar para quem quer que seja. Essa agonia. Essa ladainha. Essa peleja.
Mas hoje eu necessito. Para alegrar o meu inferno. Pessoal. O trânsito que tem atropelado. O meu astral. Uma paixão que foi embora. Na boca da estrada. Essa lembrança que me mata. Feito vício. Deixa tonta a minha memória.
Agora, já.
Por que essa demora? Este desprezo? Estou com medo.
Tenho pavor. O mundo derretendo. As camadas de gelo. O sol cinza. Desta cidade de São Paulo. Ave!
Umazinha só, repito.
Aqui, ó. Sou eu.
Este farrapo humano, perdido. Em que nos tornamos. Todos juntos. A caminho do mesmo abismo. Moço, mocinha. Faz de conta de que sou um enforcado. À beira da sarjeta. Um calabouço aberto. Um buraco no concreto. Eu peço: misericórdia!
Eu tenho direito. Venha olhar você no meu olho. Esquerdo. Estou no escuro do fundo do poço. É agora ou nunca. Um gesto só. Solidário, para sempre. Você me entende?
Nem precisa ser a mais forte. Daquelas que a gente recebe. Direto da fonte. A mais gostosa, a mais quente. Não precisa ser a melhor.
De repente, aquela que você tiver. Aí, jogada. Sem valor. Esquecida na estante. Ela me serve. Na prateleira, ela me serve. Em qualquer chão de bandeja.
É essa que eu quero. Sério.
A única.
Chame o Marquinhos, o dono do bar. Eu falo com ele. Da importância que será. Neste momento em que tento escapar. De uma hecatombe. Em que tento me sustentar. Levantar os ossos. Para continuar. A luta.
Essa vida que não tem cura. Difícil de equilibrar. Eu espero. O tempo que for. E aí? Vai dar ou não vai dar? Que porre!
Para a minha alma bêbada, pô!
Uma palavrinha só resolve.
.
Marcelino Freire, escritor marginal pernambucano

Dilema Antropofágico

•Abril 21, 2008 • 3 Comentários

The Brain

” Com tempero

Qual é o mais legal;

O cérebro do ignaro

Ou do intelectual? ”

Valmir Jordão

Portishead – Third

•Março 19, 2008 • 4 Comentários

Third

Mesmo 10 anos afastados, Beth Gibbons e sua banda retornam das cinzas de forma magnífica.

Com seu novo cd, “Third”, a banda inglesa prova que não “enferrujou”. Pelo contrário, inova e produz um cd esplêndido, fazendo mais apaixonados os fãs da banda.

Ficar aqui falando não adiantará de nada. Então recomendo que todos os bons ouvidos acessem o link a seguir, baixem e se maravilhem com o meu mais novo vício.

http://www.mybloop.com/giovanna/Portishead_-_Third_2008.rar

XXI

•Novembro 6, 2007 • 3 Comentários

Pessoa

Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
Seria mais feliz um momento…
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural…
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva…
O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica…
Assim é e assim seja…

Alberto Caeiro – O Guardador de Rebanhos

Gênio, só isso que posso dizer, gênio!

Vagos Devaneios

•Outubro 10, 2007 • 4 Comentários

Smoke 3

” Às vezes me pego correndo na contra-mão,
sonhando em me ver novamente no reflexo de seus olhos.
E qual será o preço a pagar pela minha racional insensatez?
Devagar, vagando em devaneios meus,
ansiando em casa abraço seus abraços
me apegando à tetricidade de meus pensamentos vazios
buscando ocupações efêmeras, alheias a meus desejos.
E me vendo, cada vez mais, acordando,
dispertando rumo à meu dia sem final feliz.
Banalizando a dualidade de minha alma.”

Lika Lima

ClicKÁrvore

•Outubro 3, 2007 • 3 Comentários

Clickarvore

Entre, cadastre-se e com apenas um click por dia, você pode ajudar a salvar o planeta.
Não custa nada nem dá trabalho! Click árvores todos os dias!

http://www.clickarvore.com.br/

Coordenadas

•Setembro 27, 2007 • 3 Comentários

Colagem - Felicidade

A felicidade se esconde.

.

Ela não está na vitória,

Mas na derrota.

Na vitória se camuflam os temores

Na perda, garra e a vontade.

.

Não se encontra no ‘ter”,

Mas habita o “ser”.

Por que possuir é transitório,

Ser é eternizar.

.

Está no sentir e no morrer

No respirar e no querer.

“Infinito Agora”

•Setembro 27, 2007 • 3 Comentários

Time

Cada segundo que passa é uma eternidade

Cada “tic-tac”, uma vida

Que se mostra em cada minusciosidade

Ela passa e ninguém vê

Efêmeridade do ser,

Que se degrada sem sentir

Imoral

•Setembro 17, 2007 • 4 Comentários

“Imoral me torno cada vez que em orgasmos poéticos,
Expresso os desejos mais íntimos dos falsos moralistas
Que tentam a todo custo escondê-los, parecendo não
Saber que uma hora, esses sufocados quereres virão
À tona, como instintos de um animal faminto.

Não sou puro como era quando nasci, porém, não sou
Impuro a ponto de mentir meus desejos – tão naturais.

Queimem em mim, fervorosas vontades, eu lhes deixo
Queimar!”

Nilton Leal